Cartilha 12

Regulação
e TFD

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

São João da Ponta - PA

Assessoramento Akapu Saúde

Regulação: organizar o acesso

Nenhum município dispõe, isoladamente, de todos os serviços de saúde que sua população precisa. Isso é especialmente verdadeiro para municípios pequenos como São João da Ponta, que dependem da rede regional para consultas especializadas, exames de média e alta complexidade, internações e procedimentos cirúrgicos. A forma como esse acesso se organiza chama-se regulação do acesso.

A Política Nacional de Regulação (Portaria GM/MS 1.559/2008) define regulação como o conjunto de ações que organiza, controla e avalia o acesso dos usuários aos serviços de saúde. É regulação o que faz o encaminhamento de um paciente para uma consulta especializada; é regulação o que prioriza um leito de UTI para quem mais precisa; é regulação o que organiza o transporte de um paciente oncológico para quimioterapia em outro município.

Em São João da Ponta, a regulação é especialmente desafiadora porque o município é 100% dependente da rede regional para média e alta complexidade (MAC). Essa dependência exige organização rigorosa, pactuação clara e comunicação permanente com os gestores regionais.


O cenário atual de São João da Ponta

ItemSituação em SJP
Dependência da rede regional de MAC100% (toda média e alta complexidade fora do município)
Internações anuais de munícipes (fora de SJP)~370 por ano
Central de regulação municipalNão existe
SISREG próprioNão implantado
Referência regional de regulaçãoCentral de Regulação Metropolitana III (Castanhal)
TFD (Tratamento Fora do Domicílio)Centralizado em Belém
Programação Pactuada e Integrada (PPI)Necessita revisão
Lacuna estrutural crítica. A ausência de central de regulação municipal e de acesso próprio ao SISREG faz com que o município dependa integralmente da regulação regional. Isso gera dificuldades de rastreabilidade, atrasos na marcação, perda de vagas e perda de produção. O PMS 2026-2029 prevê implantação progressiva da regulação municipal.

O que é regulação no SUS

A regulação no SUS tem três dimensões, todas importantes:

DimensãoO que significaExemplos
Regulação da atençãoOrganização do acesso aos serviços de saúdeMarcação de consulta especializada, autorização de internação
Regulação do sistemaOrganização dos prestadores e contratos com a redeContratualização de hospital, licenciamento de serviço
Auditoria e avaliaçãoControle dos resultados e da qualidadeAuditoria de contas, avaliação de desempenho

Em um município pequeno, o foco prático recai sobre a primeira dimensão: organizar o acesso da população aos serviços de fora do território, com qualidade, equidade e agilidade. É disso que trata esta cartilha.


Referência e contrarreferência

Referência e contrarreferência são os dois movimentos fundamentais do cuidado em rede. Uma boa gestão desses fluxos é o que transforma serviços isolados em um sistema integrado.

Referência

Contrarreferência

Protocolos de encaminhamento


SISREG: a ferramenta federal de regulação

O Sistema de Regulação (SISREG) é a ferramenta nacional gratuita, disponibilizada pelo Ministério da Saúde, para gestão do acesso a consultas e procedimentos especializados. Permite que cada ponto da rede opere no mesmo sistema: a APS faz solicitação, a central de regulação aprova, o prestador marca, o usuário é informado.

Funcionalidades principais

Implantação em São João da Ponta

Benefícios práticos do SISREG municipal. Com acesso próprio ao SISREG, a UBS envia a solicitação no mesmo dia da consulta, acompanha o status da marcação e pode justificar prioridade clínica quando necessário. O usuário deixa de ser encaminhado com papel na mão para procurar a central regional.

PPI: a Programação Pactuada e Integrada

A Programação Pactuada e Integrada da Assistência à Saúde (PPI) é o instrumento pelo qual os municípios de uma região de saúde pactuam, entre si, a oferta e a distribuição de serviços de média e alta complexidade. Ela define cotas: quantos procedimentos cada município recebe nos serviços de referência e, em contrapartida, oferece aos vizinhos.

Função da PPI

PPI na 3ª Região de Saúde do Pará

PPI desatualizada prejudica o município pequeno. Quando a PPI não reflete a necessidade real, municípios pequenos recebem cotas insuficientes e acabam pagando por fora ou enfrentando filas excessivas. A revisão periódica da PPI é interesse direto de SJP.

Tratamento Fora do Domicílio (TFD)

O TFD é o instrumento legal (Portaria GM/MS 55/1999, no escopo do SUS, e normas municipais complementares) que garante ao usuário acesso a tratamento indisponível em sua cidade, com custeio de deslocamento, hospedagem e alimentação. Para São João da Ponta, o TFD é especialmente relevante para procedimentos centralizados em Belém e em outros polos.

Quem tem direito ao TFD

O que o TFD cobre

Procedimentos típicos via TFD em SJP

EspecialidadeDestino usual
Oncologia (quimioterapia, radioterapia)Belém (hospitais credenciados)
NeurocirurgiaBelém
Cardiologia intervencionistaBelém
Cirurgia ortopédica especializadaBelém / Castanhal
HemodiáliseBelém (casos que exigem unidade fora da região)

Organização do TFD em SJP


Transporte sanitário

O transporte sanitário é componente essencial da regulação. Sem transporte adequado, o acesso garantido no papel não se materializa na vida concreta do paciente. Para municípios da zona rural amazônica, com distâncias longas até os serviços de referência, o transporte é ainda mais crítico.

Modalidades

Organização


Central de Regulação Metropolitana III (Castanhal)

A Central de Regulação Metropolitana III, sediada em Castanhal, é a estrutura regional que organiza o acesso dos municípios da 3ª Região de Saúde do Pará aos serviços de média e alta complexidade. São João da Ponta integra essa região e é pelo fluxo dessa central que a maior parte das marcações ocorre.

O que a Central faz

Articulação de SJP com a Central


Câncer: Lei dos 30 e 60 dias

A Lei 12.732/2012 estabelece o direito do paciente com câncer a iniciar tratamento em até 60 dias (prazo geral) ou 30 dias (em casos que a conduta inicial seja cirurgia). A Lei 13.896/2019 estabeleceu o prazo de 30 dias para exames diagnósticos quando há suspeita fundada de câncer. Esses prazos devem ser cumpridos.

O que a APS deve fazer

O que a Secretaria Municipal deve garantir


Metas do PMS 2026-2029 para regulação e TFD

EixoAção previstaPrazo
Regulação municipalImplantar central de regulação municipal com acesso ao SISREG2026-2027
CapacitaçãoCapacitar equipes da APS em protocolos de encaminhamento2026-2029
PPIRevisar a PPI regional na CIR da 3ª Região de Saúde2026-2027
TFDEstruturar setor municipal de TFD com fluxo formalizado2026
TransporteReorganizar transporte sanitário com gestão de rotas2026-2027
ContrarreferênciaImplantar fluxo que garanta contrarreferência em 100% dos encaminhamentos2028
OncologiaFluxo prioritário para suspeita de câncer com cumprimento dos prazos legais2026-2029
TransparênciaPublicação periódica de dados de produção e fila2026-2029

O que eu posso fazer?

Se você é médico ou enfermeiro da ESF:

Se você é ACS:

Se você é profissional da recepção ou administrativo:

Se você é coordenador ou gestor:


Resumo rápido

PerguntaResposta curta
O que é regulação no SUS?Organização do acesso aos serviços de saúde, com base na Portaria GM/MS 1.559/2008.
SJP tem central de regulação própria?Não. A regulação é 100% regional, via Central Metropolitana III (Castanhal).
O que é SISREG?Sistema nacional gratuito de gestão do acesso a consultas e procedimentos.
O que é PPI?Programação Pactuada e Integrada: distribui cotas de serviços entre municípios da região.
O que é TFD?Tratamento Fora do Domicílio: garante acesso a serviços indisponíveis no município (Portaria GM/MS 55/1999).
Onde fica o TFD de SJP?Centralizado em Belém.
Qual o prazo para tratamento de câncer?60 dias para tratamento e 30 dias para diagnóstico quando há suspeita (Leis 12.732/2012 e 13.896/2019).
Quantas internações anuais fora do município?Aproximadamente 370 por ano.

Referências normativas

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