Cartilha 5

Rede Assistencial
e Fluxos de Referência

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

São João da Ponta - PA

Assessoramento Akapu Saúde

O que é a Rede de Atenção à Saúde?

A Rede de Atenção à Saúde (RAS) é o conjunto de todos os serviços de saúde do município, organizados para funcionar de forma integrada. Não se trata apenas de ter UBS e serviços de apoio funcionando ao mesmo tempo. O que faz uma rede funcionar é a conexão entre os pontos: quem encaminha, para onde, com que informação e como o paciente volta a ser acompanhado pela sua equipe.

Em São João da Ponta, a RAS é composta por pontos de atenção locais (APS e apoio) e por pontos de referência regional (que ficam em outros municípios, mas atendem a população de São João da Ponta por meio de pactuação no SUS). Por ser um município de micro porte (4.470 habitantes), São João da Ponta não possui hospital, UPA, SAMU próprio ou CAPS municipal, e depende integralmente da rede regional para média e alta complexidade, urgência/emergência e saúde mental especializada.

O PMS 2026-2029 organiza metas para fortalecer essa rede, tanto na ampliação da capacidade local quanto na melhoria dos fluxos de encaminhamento para fora do município.


Quais são os pontos de atenção do município

São João da Ponta tem a rede municipal concentrada na Atenção Primária, com apoio regulatório, farmacêutico e de vigilância. Os principais pontos são:

Ponto de atençãoO que fazQuantidade
UBS (Unidades Básicas de Saúde)Porta de entrada principal: consultas, pré-natal, vacinação, acompanhamento de crônicos, curativos, saúde bucal. Inclui a UBS Guarajuba (CNES 7554982) em área ribeirinha.5
Centro de Saúde EspecialEstabelecimento sob gestão estadual (CNES 2312026), apoio à rede local.1
Polo Academia da SaúdePromoção de atividade física e estilo de vida saudável.1
Unidade de Vigilância em SaúdeVigilância epidemiológica, sanitária e ambiental, com equipe de imunização e controle vetorial.1
Farmácia municipalDispensação da Farmácia Básica e acompanhamento no Horus/e-SUS AF.1
Central de Gestão / RegulaçãoAgendamento de consultas e exames fora do município, solicitação de internações de referência.1

O município não conta com hospital municipal, UPA, SAMU próprio nem CAPS. Urgência/emergência, internações e saúde mental especializada dependem da rede regional.

Equipes de saúde

EquipeQuantidadeFunção
eSF (Saúde da Família)3Equipes de referência para a população - responsáveis pela APS no território
eSB (Saúde Bucal)3Atendimento odontológico nas UBS
Apoio matricial (ex-NASF / eMulti)0 habilitadoNASF-AB extinto pela Portaria GM/MS 635/2023; substituído pelo modelo eMulti. CNES 7850220 é registro residual. Sem eMulti habilitada, não há apoio matricial formal.
ACS15 em atividade (8 no CBO 5151-05 + 7 TACS, CBO 3222-55); meta de completar para 16Visitas domiciliares, busca ativa, acompanhamento no território
Na prática: toda a população de São João da Ponta está coberta pela APS (cobertura de 100%). Cada pessoa tem uma UBS e uma equipe de Saúde da Família como referência. É por essa equipe que começa o caminho dentro da rede. Os 1.468 hipertensos, 856 diabéticos e 223 pessoas em tratamento psiquiátrico cadastrados são acompanhados nesse primeiro nível.

Como funciona o fluxo dentro do município

O fluxo padrão de atendimento segue uma lógica simples: o paciente entra pela APS, e a equipe avalia se o problema pode ser resolvido ali ou se precisa de outro nível de atenção.

Passo a passo

  1. O paciente procura a UBS (demanda espontânea ou programada). A equipe acolhe, avalia e classifica a necessidade.
  2. Se a UBS resolve: consulta médica, consulta de enfermagem, pré-natal de risco habitual, vacinação, curativo, acompanhamento de hipertensão e diabetes, coleta de exames básicos. A maioria das demandas deve ser resolvida aqui.
  3. Se a UBS não resolve: o profissional encaminha para o nível seguinte, com informações clínicas no encaminhamento. Dependendo do caso:
  4. Se é urgência: o paciente precisa ser transportado para a rede regional, uma vez que o município não possui hospital, UPA ou SAMU próprio. O transporte sanitário, quando necessário, é viabilizado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Atenção domiciliar

As visitas domiciliares são responsabilidade das eSF e dos ACS. Pacientes acamados, com dificuldade de locomoção ou em pós-alta hospitalar são acompanhados pela equipe do território. O apoio matricial multiprofissional depende da habilitação de uma eMulti (modelo que substituiu o extinto NASF-AB após a Portaria GM/MS 635/2023), ainda pendente no município.


Referência para média e alta complexidade

São João da Ponta é um município de micro porte, com 4.470 habitantes, e integra a Região de Saúde Metropolitana III do Pará, cuja sede é Castanhal. Isso significa que o município é responsável pela APS e por serviços básicos, mas depende integralmente de outros municípios para serviços de média e alta complexidade, urgência/emergência hospitalar e saúde mental especializada.

Para onde vão os pacientes

NívelMunicípio de referênciaExemplos de serviços
Média complexidadeCastanhalConsultas especializadas, exames complementares, cirurgias eletivas de menor porte
Alta complexidadeBelémOncologia, cardiologia, neurocirurgia, UTI, transplantes, partos de alto risco

Como funciona o encaminhamento

  1. O profissional da UBS identifica que o paciente precisa de serviço que não existe em São João da Ponta.
  2. Preenche o encaminhamento com informações clínicas, diagnóstico e motivo da solicitação.
  3. O encaminhamento é enviado à Central de Regulação do município.
  4. A Central de Regulação faz a solicitação junto à regulação estadual ou diretamente aos serviços de referência.
  5. Quando a vaga é liberada, o paciente é informado e encaminhado, com transporte sanitário quando necessário.

O que é a PPI

A Programação Pactuada e Integrada (PPI) é o instrumento pelo qual os municípios de uma região de saúde combinam entre si quem oferece o quê. Funciona assim: São João da Ponta não tem cardiologista nem serviço hospitalar. A PPI define que os moradores têm direito a consultas especializadas e internações em Castanhal (sede regional) ou Belém, com vagas reservadas. Cada município da região faz o mesmo para os serviços que não tem.

A PPI é pactuada na CIR (Comissão Intergestores Regional) e aprovada na CIB (Comissão Intergestores Bipartite). Sem essa pactuação, o município não tem garantia formal de acesso aos serviços de referência.

O problema da contrarreferência

A referência é quando o paciente sai de São João da Ponta para ser atendido em Belém ou Castanhal. A contrarreferência é o caminho de volta: o serviço especializado informa à equipe da UBS o que foi feito, qual o diagnóstico, qual o tratamento e qual o acompanhamento necessário.

Problema identificado: a contrarreferência é frágil. O paciente vai para Belém ou Castanhal, faz o procedimento, mas a equipe da UBS muitas vezes não recebe informações sobre o resultado. Isso quebra a continuidade do cuidado: a equipe não sabe o que foi decidido, não consegue acompanhar e o paciente fica sem retaguarda no território. É um problema especialmente sensível para um município 100% dependente da rede regional.

Metas do PMS relacionadas à rede e aos fluxos

O PMS 2026-2029 tem metas específicas para fortalecer a rede assistencial e melhorar os fluxos. Elas estão distribuídas principalmente nas Diretrizes 1 e 2:

Atenção Primária e acesso

MetaO que significa
Manter cobertura de 100% das equipes de APSManter as 3 eSF e as 3 eSB ativas
Recompor ACSRetornar aos 16 ACS perdidos em 2025, passando por 12 em 2026
Ampliar consultas médicas/hab/anoSair de 1,54 em 2025 para o mínimo de 2 do parâmetro PNAB
Reduzir internações por condições sensíveis à APS (ICSAB)Menos internações fora do município por problemas que a APS resolve
Por que isso importa para a rede: como São João da Ponta não tem hospital, toda internação ocupa vaga em Castanhal ou Belém. Reduzir as ICSAB significa menos pressão na referência regional. Habilitar uma eMulti (em substituição ao extinto NASF-AB) e recompor ACS aumenta a capacidade de resolução local.

Urgência e emergência

Sem hospital, UPA ou SAMU próprios, o PMS 2026-2029 de São João da Ponta centra a estratégia de urgência em dois eixos: fortalecer o transporte sanitário e pactuar com a rede regional a priorização de vagas em urgência. Metas relacionadas incluem:

MetaO que significa
Notificação de violências em 100% das unidadesTodas as UBS precisam registrar violências via SINAN
Reduzir óbitos por causas externasInclui enforcamento (3 óbitos em 2025) e acidentes
Pactuar cobertura SAMU regionalGarantir acesso ao SAMU regional, via CIR
Por que isso importa para a rede: como o município depende de SAMU regional, a pactuação com Castanhal e a organização do transporte sanitário são decisivas para urgência. Cada minuto conta, e a ausência de hospital local torna a articulação regional ainda mais crítica.

Outras metas que dependem da rede


O que são os fluxos assistenciais na prática

Cada tipo de problema de saúde tem um caminho organizado dentro da rede. Esses caminhos são os fluxos assistenciais. Veja os principais:

Fluxo materno-infantil

EtapaOnde aconteceO que acontece
Captação da gestanteUBSACS identifica a gestante e encaminha para início do pré-natal
Pré-natalUBSConsultas, exames, vacinas, acompanhamento nutricional
Parto de risco habitualCastanhal (referência regional)Parto normal em maternidade pactuada
Parto de alto riscoBelém (referência estadual)Transferência via regulação para maternidade de referência
PuerpérioUBSAcompanhamento da mãe e do recém-nascido pela eSF
Dado importante: a proporção de gestantes com 7 ou mais consultas caiu de 76,6% em 2024 para 59,2% em 2025 (base local SINASC; o DW federal segue com falha de transmissão). Reverter essa queda depende de captação precoce, busca ativa dos ACS e agenda organizada na UBS. A sífilis congênita, quando diagnosticada, tem ocorrido fora do município (Castanhal), o que reforça a necessidade de ampliar VDRL no pré-natal.

Fluxo de urgência

EtapaOnde aconteceO que acontece
OcorrênciaNo localPaciente ou familiar aciona socorro
Atendimento pré-hospitalarSAMU regional (pactuação via CIR)Equipe profissional atende e transporta
Estabilização inicialUBS mais próximaPrimeiros cuidados antes do transporte
Urgência hospitalarCastanhal ou BelémTransferência via regulação para hospital de referência

Fluxo de saúde mental

EtapaOnde aconteceO que acontece
IdentificaçãoUBSEquipe da eSF identifica demanda de saúde mental
Casos leves/moderadosUBS com matriciamento regionalCAPS de Castanhal apoia a equipe da UBS (matriciamento)
Casos gravesCAPS regional de CastanhalAtendimento especializado em regime aberto na rede regional
Urgência psiquiátricaHospital de referência via regulaçãoEstabilização e encaminhamento para unidade de referência

Fluxo de doenças crônicas

EtapaOnde aconteceO que acontece
RastreamentoUBSEquipe identifica hipertensos, diabéticos e outros casos crônicos
Acompanhamento regularUBSConsultas periódicas, controle de medicação, exames
Complicação agudaHospital de referência regionalInternação em Castanhal ou Belém por descompensação
EspecialistaCastanhal ou BelémEncaminhamento via regulação para cardiologista, endocrinologista, etc.

O papel da equipe no encaminhamento adequado

A qualidade da rede depende diretamente de como cada profissional faz a sua parte no fluxo. Um encaminhamento bem feito economiza tempo, evita sofrimento do paciente e faz o sistema funcionar melhor. Um encaminhamento malfeito gera fila, retrabalho e atraso.

O que faz um encaminhamento ser bom

O que a equipe deve evitar


O que eu posso fazer?

Cada profissional, independentemente do cargo, pode contribuir para que a rede funcione melhor. Veja o que está ao seu alcance:

Se você trabalha na UBS:

Se você é ACS:

Se você atua em equipe de apoio matricial (eMulti, quando habilitada):

Se você atua na farmácia ou vigilância:

Se você trabalha na regulação:


Resumo rápido

PerguntaResposta curta
O que é a RAS?O conjunto organizado dos serviços de saúde do município, conectados entre si
Quantos pontos de atenção SJP tem?5 UBS, 1 Centro de Saúde Especial (estadual), Polo Academia, Vigilância, Central de Gestão e Farmácia. Sem hospital, UPA, SAMU ou CAPS próprios.
Para onde vão os casos que o município não resolve?Castanhal (média complexidade) e Belém (alta complexidade)
O que é a PPI?A pactuação entre municípios que define quem oferece o quê na região
O que é contrarreferência?O retorno de informações do especialista para a equipe da UBS
Como a equipe contribui?Encaminhando com qualidade, acompanhando o paciente e alimentando os sistemas
Qual o principal gargalo?Acesso à média e alta complexidade e contrarreferência frágil
Assessoramento Akapu Saúde