Cartilha 1

A Atenção Primária
e o Plano de Saúde

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

São João da Ponta - PA

Assessoramento Akapu Saúde

O que é o Plano Municipal de Saúde?

O Plano Municipal de Saúde (PMS) é o documento que organiza tudo o que a saúde do município pretende fazer nos próximos quatro anos (2026 a 2029). Ele diz onde estamos, onde queremos chegar e como vamos acompanhar os resultados.

O PMS não é um documento que fica na gaveta. Ele orienta o trabalho de todas as equipes, todos os dias. Se você trabalha na Atenção Primária à Saúde (APS), boa parte do que está no PMS depende diretamente do seu trabalho.

O PMS tem três partes principais:

ParteO que responde
ASIS (Análise de Situação de Saúde)Onde estamos? Qual é a realidade de São João da Ponta?
DOMI (Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores)Onde queremos chegar? O que vamos melhorar?
Monitoramento e AvaliaçãoComo vamos acompanhar se está dando certo?

O que os dados dizem sobre a APS de São João da Ponta

A Análise de Situação de Saúde (ASIS) do PMS trouxe informações importantes sobre a APS no município:

O que vai bem:

O que precisa melhorar:

Na prática: a APS de São João da Ponta tem estrutura básica, mas precisa completar o quadro de ACS e qualificar a busca ativa, ampliar consultas e visitas, retomar a cobertura vacinal e reverter a queda do pré-natal.

As metas do PMS que envolvem a APS

Uma das diretrizes do PMS é dedicada à Atenção Primária. Veja as principais metas que dependem do trabalho das equipes:

MetaO que significaValor atualMeta 2029
Manter cobertura de 100% das equipes de APSNão deixar nenhuma equipe cair100%100%
Completar o quadro de ACS e qualificar a busca ativaPreencher a vaga restante e retomar as visitas domiciliares15 ACS16 ACS
Ampliar consultas médicas/hab/anoAtingir parâmetro PNAB1,542,0+
Reduzir internações por condições sensíveis à APS (ICSAB)Menos gente internada por problemas que a APS resolve-Reduzir
Manter cobertura de Saúde Bucal em 100%Continuar com todas as equipes de SB ativas100%100%
Ampliar atendimento odontológico/hab/anoAtingir parâmetro de 0,6/hab/ano0,410,6+

Mas a APS não aparece só nessa diretriz. Outras metas do PMS também dependem das equipes:

Destaque: A APS é a base de quase tudo o que o PMS propõe. Em um município de micro porte como São João da Ponta (4.470 habitantes), sem hospital, UPA, SAMU ou CAPS próprios, a APS é ainda mais decisiva.

Como a equipe de APS contribui para o monitoramento

O PMS é monitorado a cada quatro meses por meio do RDQA (Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior) e avaliado todo ano pelo RAG (Relatório Anual de Gestão). Para que esses relatórios reflitam a realidade, os dados precisam estar corretos e atualizados.

O que a equipe de APS precisa fazer:

  1. Alimentar os sistemas corretamente. O e-SUS AB, o SISAB e os demais sistemas são a fonte dos dados que aparecem no RDQA e no RAG. Se um atendimento não é registrado, ele não existe para o monitoramento. Atenção à higienização do cadastro: hoje há 6.532 cadastrados no e-SUS, 43,6% acima do IBGE (4.470), indicando duplicidades a corrigir.
  2. Fazer busca ativa. Gestantes sem pré-natal, crianças com vacina atrasada, hipertensos que abandonaram o acompanhamento - a busca ativa é o que transforma cobertura em cuidado real.
  3. Acompanhar os indicadores da equipe. Cada meta do PMS tem um indicador. A equipe pode - e deve - acompanhar os indicadores que dizem respeito ao seu território: quantas gestantes com 7+ consultas? Qual a cobertura vacinal das crianças da área? Quantos hipertensos estão com consulta em dia?
  4. Participar das reuniões de monitoramento. O PMS prevê acompanhamento quadrimestral. A equipe de APS é a principal fonte de informação sobre o que está funcionando e o que não está.

O que muda no dia a dia com o novo PMS

O PMS 2026-2029 não muda tudo de uma vez. Ele organiza prioridades e dá direção. Na prática, o que muda para quem trabalha na APS:

Completar e qualificar o quadro de ACS: o quadro está mantido em 15 agentes (somados os dois códigos profissionais) e a meta é completar para 16 até 2029, preenchendo a vaga restante. O foco principal é retomar as visitas domiciliares, que caíram 29% desde 2022, com processo seletivo, capacitação e padronização do cadastro no código vigente. Apurar os ACS só pelo código antigo gera subcontagem nos repasses do FNS (cerca de R$ 36 mil por agente ao ano).

Retomada do pré-natal: reverter a queda de 76,6% (2024) para 59,2% (2025) nas gestantes com 7+ consultas exige busca ativa, captação precoce e agenda organizada. Se a gestante não aparece, a equipe vai atrás.

Foco na qualidade, não só na cobertura: ter 100% de cobertura já é uma conquista. Agora o desafio é aumentar o número de consultas por habitante, ampliar visitas domiciliares e garantir que o atendimento resolva o problema da pessoa.

Saúde mental via APS: São João da Ponta não é habilitável para CAPS próprio por porte populacional (menos de 15.000 habitantes). O cuidado em saúde mental acontece na APS com apoio matricial do CAPS regional em Castanhal.

Indicadores são responsabilidade de todos: o PMS tem 70 metas distribuídas em 11 diretrizes. Muitas dependem da APS. Cada profissional, ao registrar um atendimento, ao fazer uma visita domiciliar, ao vacinar uma criança, está alimentando os indicadores que medem o sucesso do plano.

O Conselho Municipal de Saúde vai acompanhar: o CMS analisa o RDQA a cada quatro meses e emite parecer sobre o RAG. Se os indicadores da APS não evoluírem, isso aparece na prestação de contas.


Resumo rápido

PerguntaResposta curta
O que é o PMS?O plano de 4 anos da saúde de São João da Ponta
O que a ASIS diz sobre a APS?Cobertura de 100%, mas só 1,54 consultas/hab/ano e ACS pela metade
Qual o foco principal da APS?Recompor ACS, retomar pré-natal, ampliar consultas e vacinação
Como a equipe contribui?Alimentando sistemas, fazendo busca ativa, acompanhando indicadores
O que muda?Mais foco na qualidade do cuidado, recomposição das equipes, retomada da cobertura vacinal
Assessoramento Akapu Saúde