Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este Caderno analisa o perfil epidemiológico de São João da Ponta com base nos dados locais do SIM, SINASC e SINAN (PEC municipal), complementados pelo SIH/SUS (internações) e SISAB (produção APS) do Data Warehouse Akapu. As bases locais são a fonte primária por apresentarem dados mais atualizados e confiáveis para o município, incluindo o ano de 2025 completo.

Nota sobre divergência com o DW federal: As bases nacionais DATASUS (SIM e SINASC) apresentam divergências significativas em relação às bases locais, em especial no campo "consultas pré-natal" (0% federal vs 37-77% local). A divergência decorre de falha na transmissão ao nível federal, não de deficiência assistencial. Para o planejamento 2026-2029, utiliza-se a base local como referência.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Síntese epidemiológica de São João da Ponta com base nos sistemas locais SIM, SINASC, SINAN (PEC), SIH/SUS e SISAB. Detalhes e fontes nas seções seguintes.

Indicadores-chave (2025)
  • Nascidos vivos: 71 (taxa bruta 15,9/1.000 hab)
  • Pré-natal 7+ consultas: 59,2% (queda vs 76,6% em 2024; meta MS 75%)
  • Gravidez na adolescência: 21,1% (média nacional ~14%)
  • Parto vaginal: 50,7% (em declínio, 61% em 2020)
  • Óbitos totais: 48 (neoplasias 12, circulatório 8, externas 7)
  • Internações: 370 (causas externas 49, neoplasias 37)
  • Cobertura vacinal: 1 de 16 vacinas com meta atingida
Achados críticos
  • Neoplasias se tornaram 1ª causa de morte (+100% vs 2024); internações por neoplasias +429% no período
  • Falha na transmissão do campo pré-natal ao SINASC federal (0% federal vs 59% local)
  • 3 enforcamentos em 2025 sinalizam alerta de suicídio (Y200/Y209/X700)
  • LTA: 3 casos novos em homens 24-43 anos sem pesquisa parasitológica local
Recomendações ao PMS 2026-2029
  • Linha de cuidado oncológica regional e qualificação do rastreamento (próstata, mama, colo)
  • Corrigir o fluxo de registro do pré-natal na DNV e ampliar captação no 1º trimestre
  • Plano de prevenção do suicídio articulado com CAPS regional e atenção primária
  • Recomposição da cobertura vacinal a 14/16 vacinas até 2027

2. Nascidos vivos (SINASC local, 2020-2025)

AnoNVMasculinoFemininoTaxa bruta natalidade (/1.000 hab)
202075413416,9
202182364618,5
202265372814,0
202376364016,7
202477403717,1
202571403115,9

Fonte: SINASC, base local municipal. Total: 1.136 registros.

Padrão estável entre 65-82 NV/ano. Queda acentuada em 2022 (-20,7%), com recuperação parcial em 2023-2025. Predominância masculina na maioria dos anos.

3. Indicadores materno-infantis (SINASC local, 2020-2025)

3.1. Proporção de NV com 7 ou mais consultas de pré-natal

AnoNV com 7+Total NVProporção
2020287537,3%
2021468256,1%
2022406561,5%
2023507665,8%
2024597776,6%
2025427159,2%

Evolução positiva de 2020 a 2024 (37% para 77%), mas queda significativa em 2025 (59,2%). A meta do MS é >= 75%. A gestão deve investigar as causas da queda e fortalecer a captação precoce de gestantes no 1o trimestre.

ALERTA: O DW federal mostra 0% neste indicador para 2019-2024, o que não corresponde à realidade. A divergência decorre de falha na transmissão do campo "número de consultas pré-natal" da DNV ao SINASC federal. Requer correção imediata no fluxo de registro.

3.2. Proporção de gravidez na adolescência (10-19 anos)

AnoNV adolescentesTotal NVProporção
2020177522,7%
2021198223,2%
20224656,2%
2023197625,0%
2024137716,9%
2025157121,1%

Média do período: 19,2%, acima da média nacional (~14%). Registros de mães de 10-14 anos em 2021, 2023 e 2025 (1 caso cada). A queda para 6,2% em 2022 é atípica (possível subregistro).

3.3. Proporção de parto vaginal

AnoVaginalCesáreo% Vaginal
2020462861,3%
2021453754,9%
2022333250,8%
2023403652,6%
2024354245,5%
2025363350,7%

A proporção de parto vaginal cai de 61,3% em 2020 para 45,5% em 2024, com recuperação parcial em 2025. Como São João da Ponta não dispõe de maternidade própria com escala obstétrica resolutiva, o indicador reflete sobretudo a prática assistencial dos estabelecimentos de referência, especialmente em Castanhal e Belém, e precisa ser discutido na regulação regional, não apenas na APS municipal.

3.4. Onde acontecem os partos das mães residentes

O local de ocorrência dos partos confirma a dependência de São João da Ponta em relação à rede regional de Castanhal. Na base local do SINASC, entre 2021 e 2025, 271 dos 370 partos de mães residentes ocorreram em Castanhal (73,2%), seguido por Belém, com 62 partos (16,8%). Apenas 9 partos aparecem registrados no próprio município no período, sinalizando que a função municipal principal é captar, acompanhar, regular e garantir retorno puerperal, enquanto o parto propriamente dito se concentra em maternidades de referência.

Município de ocorrênciaUFRegião de Saúde / CIRPartos no período% do totalMediana anual
CastanhalPAMetropolitana III271"73,2%"51
BelémPAMetropolitana I62"16,8%"12
AnanindeuaPAMetropolitana I13"3,5%"1
Santo Antônio do TauáPAMetropolitana III9"2,4%"2
São João da PontaPAMetropolitana III9"2,4%"2
Outros municípiosPADiversas6"1,6%""-"

Fonte: SINASC, base local municipal, por residência da mãe, anos 2021 a 2025. O padrão é estável ao longo da série: Castanhal concentra a maior parte dos partos em todos os anos analisados, enquanto Belém funciona como referência complementar para casos regulados ou de maior complexidade.

No recorte por estabelecimento, usando o SINASC/DATASUS 2020-2024 cruzado com CNES/SCNES, o Hospital Magalhães, em Castanhal, responde sozinho por dois terços dos partos de mães residentes em São João da Ponta. A Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, é a principal referência estadual complementar, e a Associação Beneficente São José aparece como unidade de dupla gestão em Castanhal. Essa configuração exige agenda de pactuação com a Região de Saúde Metropolitana III e mecanismos de contrarreferência para que a equipe municipal receba informação sobre parto, puerpério e recém-nascido.

CNESEstabelecimentoMunicípioUFTipo de unidadeTipo de gestãoPartos% do total
0007684Hospital MagalhãesCastanhalPAHospital Geral / maternidade de referênciaMunicipal256"66,0%"
2752700Santa Casa de Misericórdia do ParáBelémPAHospital Geral / maternidade de referênciaEstadual42"10,8%"
0007641ABSJCastanhalPAHospital / maternidadeDupla32"8,2%"
Sem CNES informadoRegistro sem estabelecimento informado--Parto não institucional ou registro incompletoSem informação16"4,1%"
7283458Hospital Santa Maria de AnanindeuaAnanindeuaPAHospital GeralMunicipal9"2,3%"
2340992Hospital Ordem TerceiraBelémPAHospital GeralMunicipal7"1,8%"

Fonte: SINASC/DATASUS, nascidos vivos de mães residentes, 2020 a 2024; estabelecimento e gestão validados pelo CNES/SCNES. A lista mostra os principais estabelecimentos e concentra 93,3% dos registros do período; os demais partos distribuem-se em unidades de menor frequência.

Tipo de gestão do estabelecimentoEstabelecimentos distintosPartos no período% do total
Municipal3286"73,7%"
Estadual149"12,6%"
Dupla137"9,5%"
Sem informação / parto não institucional116"4,1%"

A síntese por gestão indica que 73,7% dos partos de mães residentes ocorrem em estabelecimentos de gestão municipal, principalmente em Castanhal, e 22,1% em unidades estaduais ou de dupla gestão. Para São João da Ponta, o ponto central não é abrir maternidade de baixa escala, mas garantir pré-natal qualificado, transporte regulado, vaga oportuna, comunicação com a maternidade de referência e retorno sistemático da puérpera e do recém-nascido para acompanhamento pela APS.

3.5. Peso ao nascer

Ano< 2.500gTotal NV% baixo peso
202087510,7%
20215826,1%
20222653,1%
20237769,2%
20244775,2%
20256718,5%

Oscilação entre 3% e 11%. Parâmetro OMS: < 10% de baixo peso ao nascer. Em 2020, ultrapassou o limite (10,7%).

3.6. Mortalidade infantil

A base local SIM não registra óbitos infantis (< 1 ano) no período 2020-2025. O DW federal registrou 3 (2020), 1 (2021) e 2 (2024), possivelmente por critério de ocorrência vs residência. Cada óbito infantil deve ser investigado individualmente pelo Comitê de Investigação.

3.7. Óbitos maternos

Zero óbitos maternos (CID O00-O99) em todo o período 2020-2025. Resultado a manter.

4.1.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
202229310,3%
202327311,1%
20244524,4%
20254712,1%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 9 de 148 óbitos ficaram em R00-R99 (6,1%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
IX. Aparelho circulatorioI21Infarto agudo do miocardio823,5%5,4%
IX. Aparelho circulatorioI10Hipertensao essencial primaria514,7%3,4%
IX. Aparelho circulatorioI64Acidente vascular cerebral nao especificado411,8%2,7%
IX. Aparelho circulatorioI50Insuficiencia cardiaca411,8%2,7%
IX. Aparelho circulatorioI11Doenca cardiaca hipertensiva38,8%2,0%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes416,0%2,7%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago312,0%2,0%
II. NeoplasiasC18Neoplasia maligna do colon28,0%1,4%
II. NeoplasiasC53Neoplasia maligna do colo do utero28,0%1,4%
II. NeoplasiasC56Neoplasia maligna do ovario28,0%1,4%
XX. Causas externasV89Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado419,0%2,7%
XX. Causas externasX95Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada314,3%2,0%
XX. Causas externasV28Motociclista traumatizado em acidente de transporte sem colisao29,5%1,4%
XX. Causas externasW74Afogamento e submersao nao especificados29,5%1,4%
XX. Causas externasX70Lesao autoprovocada intencionalmente por enforcamento/estrangulamento/sufocacao29,5%1,4%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado746,7%4,7%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas640,0%4,1%
X. Aparelho respiratorioJ12Pneumonia viral nao classificada em outra parte16,7%0,7%
X. Aparelho respiratorioJ93Pneumotorax16,7%0,7%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE11Diabetes mellitus nao insulino-dependente642,9%4,1%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE14Diabetes mellitus nao especificado428,6%2,7%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE10Diabetes mellitus insulino-dependente321,4%2,0%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE43Desnutricao proteico-calorica grave nao especificada17,1%0,7%

Em Sao Joao da Ponta, os volumes sao pequenos, mas os CIDs apontam prioridades concretas: IAM, hipertensao, AVC e insuficiencia cardiaca no circulatorio; pulmao, estomago, colon, colo do utero, ovario e penis nas neoplasias; transporte, arma de fogo, afogamento e enforcamento nas externas. A baixa proporcao recente de mal definidas melhora a confiabilidade da leitura.

4. Mortalidade geral (SIM local, 2020-2025)

AnoÓbitosMasculinoFemininoTaxa bruta (/1.000 hab)
20204230129,5
202151272411,5 (pico COVID)
20222915146,3
2023271895,9
202446291710,2
202548301810,7

Fonte: SIM, base local municipal. Total: 581 registros.

4.1. Principais causas de morte por ano

Causa (Cap. CID-10)202020212022202320242025Total
IX. Circulatório11106614855
II. Neoplasias253561233
X. Respiratório512324632
XX. Externas51429728
I. Infecciosas59201522
IV. Endócrinas05541419
XVIII. Mal definidas81332118
Em 2025, neoplasias assumem a 1a posição (12 óbitos, 25%), ultrapassando doenças circulatórias (8 óbitos). Detalhamento: 5 próstata/pênis, 2 pulmão, 1 estômago, 1 esôfago, 1 vesícula, 1 colo útero, 1 linfoma. 83% masculino.
Causas externas em 2025 (7 óbitos): 3 enforcamentos (alerta para suicídio), 2 acidentes de trânsito, 1 agressão por arma de fogo, 1 queda de árvore. 86% masculino.
Óbitos mal definidos caíram para 1 em 2025 (2,1%), melhor resultado da série. Meta MS (>= 95% definidas): atingida.

5. Doenças tropicais negligenciadas (DTNs) na Amazônia - Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) 2025

O conjunto de notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN, base local municipal) entre 2022 e 2025 totalizou 329 registros, com predomínio de acidentes por animais peçonhentos (W64, 103 notificações) e exposição a forças da natureza (X29, 77), perfil compatível com economia ribeirinha e atividade pesqueira/agrícola. Seguem-se leptospirose (A27.9, 37), violência/agressão (Y09, 16), acidentes de trabalho (Y96, 12), sífilis adquirida (A53, 11), intoxicação por agrotóxicos (T65.9, 10) e tuberculose (A16.9, 9). O detalhamento da vigilância e das unidades notificadoras consta no Caderno 08.

Em 2025, a base local SINAN registrou 3 casos novos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) em São João da Ponta, todos residentes no município e do sexo masculino, configurando um agravo endêmico que demanda vigilância ativa.

5.1. Casos notificados em 2025

Data notificaçãoSexoIdade
2025-01-31M36 anos
2025-02-03M24 anos
2025-02-24M43 anos

Todos os casos foram notificados nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, o que é compatível com o perfil ocupacional (homens adultos) exposto em agricultura familiar, extrativismo e pesca em áreas de mata ciliar no início do ano hidrológico amazônico.

5.2. Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Em 2025, as notificações de residentes de São João da Ponta no SINAN somaram 87 registros. Os maiores volumes foram Atendimento antirrábico (25), Acidente por animais peçonhentos (20), Acidente de trabalho grave (6), Leptospirose (6), Violência interpessoal/autoprovocada (5), compondo um perfil que combina exposição territorial, agravos ocupacionais, violência e eventos sensíveis à atenção primária e à vigilância. A leitura por sexo e faixa etária ajuda a direcionar ações do PMS 2026-2029 para grupos de maior risco, sem expor identificação individual em agravos de baixo volume.

AgravoTotal 2025MasculinoFemininoMediana de idadeFaixa etária predominante
Atendimento antirrábico (W64)25131237 anos40-49 anos
Acidente por animais peçonhentos (X29)2015527 anos20-29 anos
Acidente de trabalho grave (Y96)63339 anos30-39 anos
Leptospirose (A27.9)61542 anos50-59 anos
Violência interpessoal/autoprovocada (Y09)52337 anos40-49 anos
Leishmaniose tegumentar americana (B55.1)33036 anos30-39 anos
Meningite (G03.9)32115 anos15-19 anos
Caxumba (parotidite epidêmica) (B26)22021,5 anos30-39 anos
Doença de Chagas aguda (B57.1)21167,5 anos60-69 anos
Hepatites virais (B19)22060 anos30-39 anos
Sífilis em adulto (A53)21123 anos10-14 anos
Sífilis em gestante (O98.1)20214,5 anos15-19 anos
Sífilis não especificada (A53.9)21124 anos15-19 anos
Tuberculose (A16.9)22044,5 anos30-39 anos
Acidente de trabalho com exposição a material biológico (Z20.9)10127 anos20-29 anos
Aids (B24)11057 anos50-59 anos
Intoxicação exógena (T65.9)1012 anos1-4 anos
LER/DORT (Z57.9)11042 anos40-49 anos
Sífilis congênita (A50.9)1010 anos< 1 ano

Os cinco agravos com pelo menos 5 notificações concentram a leitura operacional do ano: atendimento antirrábico, acidentes por animais peçonhentos, acidente de trabalho grave, leptospirose e violência interpessoal/autoprovocada. O padrão aponta exposição ambiental e ocupacional, com necessidade de articular vigilância, APS, saúde do trabalhador e rede de urgência.

AgravoFaixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
Atendimento antirrábico1-4 anos1128,0%
Atendimento antirrábico5-9 anos1014,0%
Atendimento antirrábico10-14 anos2028,0%
Atendimento antirrábico15-19 anos2028,0%
Atendimento antirrábico20-29 anos1128,0%
Atendimento antirrábico30-39 anos13416,0%
Atendimento antirrábico40-49 anos22416,0%
Atendimento antirrábico50-59 anos1128,0%
Atendimento antirrábico60-69 anos04416,0%
Atendimento antirrábico70+ anos2028,0%
Acidente por animais peçonhentos10-14 anos11210,0%
Acidente por animais peçonhentos15-19 anos30315,0%
Acidente por animais peçonhentos20-29 anos32525,0%
Acidente por animais peçonhentos30-39 anos20210,0%
Acidente por animais peçonhentos40-49 anos11210,0%
Acidente por animais peçonhentos50-59 anos40420,0%
Acidente por animais peçonhentos60-69 anos1015,0%
Acidente por animais peçonhentos70+ anos0115,0%
Acidente de trabalho grave30-39 anos12350,0%
Acidente de trabalho grave40-49 anos21350,0%
Leptospirose20-29 anos01116,7%
Leptospirose30-39 anos01116,7%
Leptospirose40-49 anos11233,3%
Leptospirose50-59 anos02233,3%
Violência interpessoal/autoprovocada15-19 anos01120,0%
Violência interpessoal/autoprovocada30-39 anos11240,0%
Violência interpessoal/autoprovocada40-49 anos11240,0%

Demais agravos com volume residual em 2025 foram descritos em prosa, sem cruzamento detalhado por sexo e idade: Leishmaniose tegumentar americana (3 registros); Meningite (3 registros); Caxumba (parotidite epidêmica) (2 registros); Doença de Chagas aguda (2 registros); Hepatites virais (2 registros); Sífilis em adulto (2 registros); Sífilis em gestante (2 registros); Sífilis não especificada (2 registros); Tuberculose (2 registros); Acidente de trabalho com exposição a material biológico (1 registro); Aids (1 registro); Intoxicação exógena (1 registro); LER/DORT (1 registro); Sífilis congênita (1 registro). Esses eventos devem permanecer no radar da vigilância, mas a baixa contagem exige leitura cautelosa e acompanhamento longitudinal antes de definir metas específicas.

5.3. Caracterização da doença

A LTA é uma doença tropical negligenciada endêmica na Amazônia, causada por protozoários do gênero Leishmania spp. (principalmente L. braziliensis, L. guyanensis e L. amazonensis), transmitidos pela picada de flebotomíneos do gênero Lutzomyia sp. (mosquito-palha). O perfil encontrado em São João da Ponta (homens adultos notificados em janeiro e fevereiro) é compatível com exposição laboral em áreas de mata ciliar.

5.4. Contexto regional (Metropolitana III)

Os casos de SJP integram um padrão regional de transmissão silvestre/peridomiciliar na Região Metropolitana III do Pará:

  • Castanhal: 24 casos 2021-2024
  • Igarapé-Açu: 9 casos 2020-2024
  • São Francisco do Pará: 8 casos 2021-2024
  • Inhangapi: 5 casos 2021-2024

5.5. Lacuna diagnóstica e referência de tratamento

O laboratório municipal de SJP não oferece pesquisa parasitológica direta de Leishmania. O diagnóstico confirmatório depende de encaminhamento ao Instituto Evandro Chagas (IEC), em Ananindeua.

O tratamento ambulatorial é realizado nas UBS com antimoniais pentavalentes (Glucantime - componente estratégico federal); casos mucosos ou graves (anfotericina B) demandam internação via PPI para Belém/Castanhal.

6. Morbidade hospitalar (SIH/SUS, 2020-2025)

6.1. Total de internações

AnoTotalVariação
2020238-
2021255+7,1%
2022254-0,4%
2023334+31,5%
2024337+0,9%
2025370+9,8%

Crescimento de 55,5% no período.

6.2. Principais causas de internação (2025)

#CausaInternações%Tendência
1Gravidez/parto/puerpério (XV)8523,0%Estável
2Lesões/causas externas (XIX)4913,2%Pico 2023 (72), recuo
3Neoplasias (II)3710,0%+429% (7 para 37)
4Ap. circulatório (IX)318,4%Triplicou (10 para 31)
5Ap. respiratório (X)308,1%+87,5%
6Ap. digestivo (XI)308,1%+640% desde 2020

6.3. Alertas de morbidade

CRITICO: Neoplasias +429% (2020-2025). Coerente com o perfil de óbitos do SIM local.

CRITICO: Doenças cardiovasculares triplicaram em 2025. Falha na linha de cuidado DCNT.

GRAVE: Causas externas como 2a causa persistente. Padrão de violência/acidentes.

ATENCAO: Digestivas +640% desde 2020. Possível relação com saneamento.

7. Produção de serviços na APS (SISAB, 2022-2025)

Indicador2022202320242025
Visitas domiciliares37.10929.05025.11826.388
Atendimentos individuais6.4725.0684.4226.875
Atendimentos odontológicos1.5856629901.819
Razão visitas/atendimentos5,7:15,7:15,7:13,8:1
Consultas per capita1,401,110,981,54
Melhora em 2025: Atendimentos individuais +55,5%, odontológicos +83,7%, razão visitas/consultas reduziu para 3,8:1. Consultas per capita ainda abaixo do parâmetro (2-3/hab/ano).

8. Cobertura vacinal (InfoMS/SEIDIGI, 2024)

VacinaCoberturaMetaGap
Hepatite B (<30d)95,12%>= 95%ATINGIDA
BCG93,90%>= 95%-1,1 pp
Tríplice Viral 1a dose85,37%>= 95%-9,6 pp
Penta 3a dose74,39%>= 95%-20,6 pp
Febre Amarela57,32%>= 95%-37,7 pp
DTP 1o reforço62,20%>= 95%-32,8 pp

Apenas 1 de 16 vacinas atinge meta. SJP abaixo do Brasil e do Norte em todas. Padrão de abandono vacinal entre esquema básico e reforço.

9. Síntese dos problemas epidemiológicos prioritários

#ProblemaEvidência
E1Pré-natal 7+ consultas caiu para 59,2% em 2025 (era 76,6% em 2024)SINASC local
E2Falha na transmissão do campo pré-natal ao SINASC federal (0% federal vs 59% local)SINASC local vs DW
E3Neoplasias: 1a causa de morte em 2025 (12 óbitos, +100% vs 2024)SIM local
E4Mortalidade cardiovascular elevada (14 óbitos em 2024, 8 em 2025)SIM local
E5Causas externas: 3 enforcamentos em 2025 (alerta suicídio)SIM local
E6Internações por neoplasias +429% no período 2020-2025SIH/SUS
E7Cobertura vacinal insuficiente (1/16 metas atingidas)InfoMS 2024
E8Parto normal em declínio (61% para ~50%)SINASC local
E9Gravidez na adolescência: 21,1% em 2025 (média nacional ~14%)SINASC local
E10Consultas APS abaixo do parâmetro (1,54 vs 2-3/hab)SISAB 2025
E11LTA 2025: 3 casos novos (homens 24-43 anos, jan-fev); sem pesquisa parasitológica localSINAN local

Fontes: Bases locais SIM, SINASC (PEC municipal), SIH/SUS, SISAB, InfoMS/SEIDIGI. Consulta abril/2026.

Assessoramento Akapu Saúde

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.
Caderno de Saúde - PMS 2026-2029 | Município | Assessoramento Akapu Saúde